UNIVERSITÁRIAS
Pode fazer tempo, e faz. Mas não dá para esquecermos!
Tempos de Faculdade, tempos mais amenos, tempos de sonhos e esperanças, tempos de possíveis desatenções com a vida pra valer. Cabia, sempre cabia, uma boa dose de porra-louquice. Branda que fosse, mas comportava.
Havíamos passado para a faculdade. Faculdade Nacional de Arquitetura. Ano de 1956.
Alguns eram conhecidos, de bancos escolares, de cursinhos vestibulares. Outros, talvez a maioria, conhecíamos apenas de vista, sabe-se lá, talvez até das próprias provas do vestibular.
Acho que estávamos na porta da Faculdade, algum salão de espera, um lugar qualquer que nos antecipava a entrada formal para o 1º ano do curso.
Entre nós, com um jeitão “blasé”, meio desligadão, desconfiadamente, para muitos, um tanto-ou-quanto “fresco”, roupas importadas e diferentes, uma camisa de malha, daquelas de trama bem larga, manga “raglan” (será que se escreve assim), um futuro querido colega , hoje o colega mais destacado da turma. Nome nacional, mesmo. Depois, lá pra diante, eu conto seu nome (Ibrahim assim dizia).
Apenas para situar a peça!
Tempo que passa, o cara havia sido incorporado à turma, mais do que isso, ao grupo de que eu fazia parte (entre mais de 120 alunos, numa turma, formam-se sub-turmas, de montão!), estávamos sempre próximos, e um dos papos mais costumeiros já era o futebol. Mas o cara, com toda uma formação de “high-society”, de futebol não manjava porra alguma. Como iríamos juntos, nosso “grupelho”, a uma reunião onde, certamente, rolariam muito papos de futebol e, para não deixa-lo de fora das conversas, fizemos uma pequena “preleção”, dando dicas, mostrando como se encaixar nos assuntos, mesmo sem aprofundamentos. Consideramos a “instrução” absorvida e nos mandamos para a reunião.
Num dado momento dos papos, a coisa enveredou para o futebol. Discute-se daqui, discute-se d´acolá, chegamos perto e a discussão que rolava era sobre o próximo jogo do Fluminense. Que fique bem claro: refinado como era, “ele” só poderia ser tricolor!
Seria um jogo do Flu, contra o São Cristóvão, no próximo domingo. No estádio do São Cristóvão. Figueira de Mello, para quem desconhece. Returno. O jogo do primeiro turno, havia sido vencido pelo Fluminense, de goleada.
O papo:
“ Eu quero ver no próximo domingo, se o Flu vai dar de goleada novamente”, disse alguém;
“ Vai ser outra goleada”, assegurou “ele”;
“Olha que vai ser diferente, não vai ser fácil não”, rebateu o primeiro;
Animado, afinal conseguia desenvolver um papo, uma discussão sobre tão desconhecido assunto, o futebol, disparou “ele”: “Quer apostar alguma coisa?”;
Ainda cuidadoso, afinal sabia da fragilidade “dele”, o contendor tentou explicar: “Olha que vai ser em Figueira de Mello”;
“Figueira de Mello, não! Índio da Costa!”
A gargalhada foi geral, o Indio (como todos o chamavamos, chamamos, até hoje) deu-se conta da pisada na bola e o ambiente ficou ainda mais descontraído. Rimo-nos até hoje desse episódio, quando nos reunimos.
Para quem não sabe: Tanto Figueira de Mello, quanto Índio da Costa, são duas das famílias mais tradicionais da sociedade carioca. O Índio, nosso querido Luiz Eduardo Índio da Costa, pensava que o seu “oponente” estava se dirigindo a ele, como se Figueira de Mello fosse.
Uma coisa é certa. Nem sei bem se o Índio, atualmente, saca alguma coisa de futebol. Mas, da Arquitetura, da melhor Arquitetura, bate um bolão!
TEMPO BÃO!!!
Tempos de Faculdade, tempos mais amenos, tempos de sonhos e esperanças, tempos de possíveis desatenções com a vida pra valer. Cabia, sempre cabia, uma boa dose de porra-louquice. Branda que fosse, mas comportava.
Havíamos passado para a faculdade. Faculdade Nacional de Arquitetura. Ano de 1956.
Alguns eram conhecidos, de bancos escolares, de cursinhos vestibulares. Outros, talvez a maioria, conhecíamos apenas de vista, sabe-se lá, talvez até das próprias provas do vestibular.
Acho que estávamos na porta da Faculdade, algum salão de espera, um lugar qualquer que nos antecipava a entrada formal para o 1º ano do curso.
Entre nós, com um jeitão “blasé”, meio desligadão, desconfiadamente, para muitos, um tanto-ou-quanto “fresco”, roupas importadas e diferentes, uma camisa de malha, daquelas de trama bem larga, manga “raglan” (será que se escreve assim), um futuro querido colega , hoje o colega mais destacado da turma. Nome nacional, mesmo. Depois, lá pra diante, eu conto seu nome (Ibrahim assim dizia).
Apenas para situar a peça!
Tempo que passa, o cara havia sido incorporado à turma, mais do que isso, ao grupo de que eu fazia parte (entre mais de 120 alunos, numa turma, formam-se sub-turmas, de montão!), estávamos sempre próximos, e um dos papos mais costumeiros já era o futebol. Mas o cara, com toda uma formação de “high-society”, de futebol não manjava porra alguma. Como iríamos juntos, nosso “grupelho”, a uma reunião onde, certamente, rolariam muito papos de futebol e, para não deixa-lo de fora das conversas, fizemos uma pequena “preleção”, dando dicas, mostrando como se encaixar nos assuntos, mesmo sem aprofundamentos. Consideramos a “instrução” absorvida e nos mandamos para a reunião.
Num dado momento dos papos, a coisa enveredou para o futebol. Discute-se daqui, discute-se d´acolá, chegamos perto e a discussão que rolava era sobre o próximo jogo do Fluminense. Que fique bem claro: refinado como era, “ele” só poderia ser tricolor!
Seria um jogo do Flu, contra o São Cristóvão, no próximo domingo. No estádio do São Cristóvão. Figueira de Mello, para quem desconhece. Returno. O jogo do primeiro turno, havia sido vencido pelo Fluminense, de goleada.
O papo:
“ Eu quero ver no próximo domingo, se o Flu vai dar de goleada novamente”, disse alguém;
“ Vai ser outra goleada”, assegurou “ele”;
“Olha que vai ser diferente, não vai ser fácil não”, rebateu o primeiro;
Animado, afinal conseguia desenvolver um papo, uma discussão sobre tão desconhecido assunto, o futebol, disparou “ele”: “Quer apostar alguma coisa?”;
Ainda cuidadoso, afinal sabia da fragilidade “dele”, o contendor tentou explicar: “Olha que vai ser em Figueira de Mello”;
“Figueira de Mello, não! Índio da Costa!”
A gargalhada foi geral, o Indio (como todos o chamavamos, chamamos, até hoje) deu-se conta da pisada na bola e o ambiente ficou ainda mais descontraído. Rimo-nos até hoje desse episódio, quando nos reunimos.
Para quem não sabe: Tanto Figueira de Mello, quanto Índio da Costa, são duas das famílias mais tradicionais da sociedade carioca. O Índio, nosso querido Luiz Eduardo Índio da Costa, pensava que o seu “oponente” estava se dirigindo a ele, como se Figueira de Mello fosse.
Uma coisa é certa. Nem sei bem se o Índio, atualmente, saca alguma coisa de futebol. Mas, da Arquitetura, da melhor Arquitetura, bate um bolão!
TEMPO BÃO!!!

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