Friday, December 5

JANETE COSTA

3ª feira, dia 2 de dezembro, li uma pequena nota na página de obituários do Globo, do falecimento de uma Janete Costa. Simples e sem mais definições. Janete Costa, poderia ser qualquer uma Janete Costa. Mas como eu tenho uma grande amiga, colega Arquiteta, com esse nome, a notícia ficou na minha cabeça.
Na 4ª feira, a noticia sobre o falecimento da Janete Costa, infelizmente já certificada de que era a querida Janete Costa, a ficha caiu. Perdia uma grande amiga e o anuncio era para a missa de 7º dia.
Notícia muito triste, tristíssima!

janeteWEB.jpg

Conheci a Janete nos tempo de faculdadeFaculdade Nacional de Arquitetura – ali na Praia Vermelha, em frente ao Iate Clube. Acho que ela entrou antes de mim e , parece que saiu depois. Eu cursei de 1956 a 1960.
Explico o porque das defasagens, porque ela entrou primeiro e saiu depois. Já naquele tempo a inquietude e a ”mania” de trabalhar, fazia com que Janete priorizasse o trabalho e cursasse a faculdade no tempo que sobrasse.
Bonita, irrequieta e espontânea, criativa e cheia de iniciativa, ela sempre se destacou. Não tenho certeza, mas lembro-me de que ela era de Niterói.
Nesses desencontros da vida, formei-me e só fui reencontrar a Janete, final dos anos 60, início dos 70, quando eu viajava, pra lá e pra cá, fazendo as lojas da Cruzeiro do Sul e os hotéis da rede Seltom, subsidiária da “voadora”.

Dei, de cara, ou de lado, com ela num vôo do Caravelle, entre Fortaleza e Recife. Nessa ocasião ela já sentara praça no Recife e já dominava a arquitetura da região, com aquela dinâmica que foi, sempre, a sua marca registrada. Puxou o papo, na viagem entre as duas capitais, procurando afugentar o medo que ela tinha (não sei se com o passar do tempo e a exigência da tantas viagens ela deixou de ter medo), incessantemente, fazendo com que eu tivesse que ficar torto na minha poltrona, voltado para ela. Uma hora, assim entortado, pescoço travado, acabei chegando no Recife com um baita torcicolo. Deu-me o endereço, nessa ocasião ainda era no centro do Recife, mas não cheguei a visitá-la por lá. Eu, também, ia e vinha, pra lá e pra cá, feito um alucinado.

Passei um bom tempo, bastante, só tendo notícias dela e do seu trabalho, soube do seu casamento com o Borsoi – Acácio Gil Borsoi – um dos maiores Arquitetos que conheço, sempre dentro daquele panorama de muito trabalho, muitos elogios pelo seu trabalho, muita dedicação e competência.

Belo dia, eu casado pela 2ª vez, tomo conhecimento da abertura de uma galeria de arte da Janete, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Estava casado com a Soraia , que queria conhecer a Janete e eu disse que a conhecia muito bem e poderia apresenta-la . Mas, fazia pelo menos uns bons 10 anos que eu não a via. Mandei-me para a galeria, Soraia a reboque, e procurei a Janete. No meio da "puta" confusão da abertura, da inauguração, coisas ainda por fazer, encontro a amiga. Cuidadosamente, educadamente, chego ao seu lado, ela respondendo a um monte de perguntas de um reporter, e espero a minha vez. Ela falando com o repórter, vez em quando olhava na minha direção.
“Será que ela se lembra de mim, pensei?”
Num dado momento ela chega mais perto e me pergunta:
“Pombas, Fernando! Você vai ficar ai parado e não vai falar nada?”
Foi a chave para que tudo passasse a um outro plano, aquele mesmo dos bons tempos de faculdade, do papo no Caravelle e de outras fortuitas ocasiões onde nos encontramos. Mostrou tudo a nós, estabeleceu uma amizade que iria frutificar, com a Soraia que acabou trabalhando com ela durante um bom tempo – e mostrou o belo estilo despojado e bacana da velha amiga da FNA.

Depois, por algumas vezes mais, estivemos juntos em casa de amigos comuns, e em sua belíssima casa na avenida Niemeyer. Durante os últimos 10/12 anos, morei em São Paulo e moro, agora, na serra carioca –Petrópolis / Correas – e perdemos o contato mais próximo. Mas os seus sucessos, seus trabalhos maravilhosos, se sucediam e eu tomava conhecimento pelo noticiário dos jornais e revistas.

Pois, essa querida amiga foi-se, deixando em quem a conheceu uma lembrança bonita e uma saudade que sempre permanecerá.
Fico feliz por ter tido a possibilidade de compartilhar, mesmo que com pouca intensidade, da vida da amiga Janete.

UMA ARQUITETA, UM EXEMPLO!


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Friday, December 28

DESEJOS E ESPERANÇAS

Num ano que vai ficar marcado para mim, como o ano da renovação, do meu coração revascularizado, quero deixar marcado, registrado, em todos os meus queridos blogues e assemelhados, minha felicidade e esperanças para os muitos outros anos que eu ainda espero desfrutar aqui no planeta.
E que essa esperança e felicidade, seja estendida a todos amigos, parentes e os mais chegados, em toda a sua plenitude.

FELIZES ANOS NOVOS!

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Thursday, December 13

CAU - CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO

Nos Jornais:
APROVADA NO SENADO A CRIAÇÃO DO CAU - CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO

A proposta de regulamentação do exercício da arquitetura e do urbanismo, e a criação dos respectivos conselhos federal e regionais, foi aprovada na quarta-feira (05/12), no Plenário do Senado. A partir de agora o projeto de Lei será levado ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sanção presidencial. Os arquitetos esperam que a sanção seja feita no próximo dia 15 de dezembro, dia do aniversário de cem anos de Oscar Niemeyer.

Atualmente, os arquitetos participam de um conselho com mais de 300 modalidades profissionais. "Desta forma, é impossível ser eficiente. Agora, o CAU ficará exclusivamente voltado aos interesses de arquitetos, urbanistas e paisagistas", afirma o presidente da Asbea, Ronaldo Rezende. Com representação federal, terá o poder de fiscalizar a atividade profissional e defender a boa ética e a qualidade dos projetos.

O projeto (PLS 347/03) é de autoria do senador José Sarney (PMDB-AP). Pela proposta, os conselhos regionais (Creas) e o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) serão desmembrados. Um novo órgão, formado por arquitetos e urbanistas, cuidará de todas as questões que envolvem a profissão, desde formação, registro e fiscalização, até a conduta ética, responsabilidades, atribuições e atuação diante do poder público.

O pleito dos arquitetos no Brasil, que tem mais de 50 anos, é reivindicado pelas cinco entidades de representação nacional: Asbea (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura), IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), FNA (Federação Nacional dos Arquitetos), Abea (Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo) e Abap (Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas).

Assim que assinado pelo poder Executivo, as entidades representativas dos arquitetos e as câmaras de arquitetura do atual sistema terão 520 dias para elaborar o modelo operacional do novo Conselho dos Arquitetos.


Pleito antigo da categoria, vamos ver se vai funcionar (pior que o Crea, impossível!) e se os anseios e desejos dos Arquitetos serão atendidos. Mais, ainda, se o CAU não será mais um "cabide de empregos" para os amigos do rei.
Enfim, e são tantos, teremos 520 dias para sabermos o que virá por aí.

BEM-VINDO SEJA!!!

Saturday, October 27

RETOMANDO

Aproveitando as possibilidades que o tal de Photoscape, um programa que faz algumas coisinhas tipo Photoshop, e tentando sacudir a poeira desse Arquiteto Comum, que, mais uma vez, prometo retomar com assuntos inerentes às coisas da categoria, estou colocando duas imagens, compostas pelo Photoscape, da obra da casa do meu filho, a Casa MB.

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Vistas exteriores

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Vistas interiores

Tipo, juntando o útil ao agradável.
A próxima investida, vai ser mais a sério.

PODEM COBRAR

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Friday, June 22

GOSTEI!

Admiro e respeito o trabalho do Ruy Ohtake. Certamente até prefiro os seusoutros tempos” em que ele fazia uma Arquitetura menos, digamos, efusiva, menos tão colorida e buscando os tais “caminhos novos”. Preferia o Ruy modernista, brutalista.
Apenas, preferências pessoais.

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Não gosto, nem um pouco, do Renaissance. Desajeitado e fora de proporção, onde colocado. Além de "excessivamente parecido" com um prédio do Wright, anos 40.
O Renaissance é o da direita.

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Mesmo o prédio da Faria Lima, onde está o Instituto Tomie Ohtake, embora interessante, mereceria um terreno, pelo menos, umas quatro vezes maior.
Ora”, poderia dizer o colega, “eu também gostaria, mas era o que tínhamos”.

Vira-e-mexe, aqui do meu cantinho modesto, Arquiteto Comum que sou, tenho mandado umasporraditasno RO. Nada contra, pois, reitero, admiro e respeito o seu trabalho.

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Mas. quando a coisa me bate bem, e torno a ressaltar, posição meramente pessoal, gosto de bater palmas. Gosto muito do Unique, por exemplo.

E sei que muita gente desgosta, até já apelidaram de “fatia de melância”. Aquele lance já falado por aqui, da exposição e compromisso de nossos trabalhos. Que ficam, escancarados e oferecidos, a toda a sorte de apreciações e de críticas. Para o bem e para o mal. Talvez até seja o caso de que nós, Arquitetos, prefiramos mais algo que incomode, do que passe desapercebido, ah! as nossas vaidades!. O que acabará, ou não, por nos colocar em cheque.

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Então, vi num dos últimos números da revista ProjetoDesign (ArcoWeb), o novo projeto do Ruy Ohtake para um terminal de ônibus, que eu gostei, e muito. Daí, naquela do “uma no cravo, outra na ferradura”, coloco algumas imagens desse novo trabalho dojapinha”.

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Em compensação, pulando de uma Arte para outra, ele é capaz de “conceberessa coisa esquistona, no mínimo. Seria uma “ode à brochidão?”

UM ARQUITETO MAIOR!

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Monday, June 4

A ARQUITETURA E AS DEMAIS ARTES

Ou, as Artes, e a demais Arquitetura.

Sob a ótica, o manto protetor, da novidade, do experimental, do ousado, ou de outro nome possa ser dado, vejo as Artes submetidas a uma devastação (palavra dura, mas foi a que me ocorreu) medíocre e pertinaz. Claro, existem, e muitas, exceções, que equilibrariam as “mudernidades” que a gente, cada vez mais, consegue ver por aí. Pior, diria eu, “mudernidades” essas que nos oprimem e “castigam”

Das outras Artes, Pintura, Escultura, Música, Poesia, etc, (e se eu deixei de citar algumas, não foi por falta de prestigiá-las, sim para adiantar meu expediente nesse pobre “escrito”), não vou me ocupar, até por falta de maior conhecimento específico.
Fico, e olhe lá, com a minha, a nossa Arquitetura.

Sempre se coloca a Arquitetura como uma das Artes. Perfeito!
Acho a Arquitetura uma Arte. Se bem que já foi mais. Mas, mesmo assim, com todos os revezes que a gente possa constatar, nessa catalogação como Arte, não estou aqui para discutir isso.
Como uma das Artes, o maior problema que a Arquitetura sofre é a sua cruel, indisfarçável, dura, exposição. Feita a obra, lá está ela, a coisa, o resultado, pronto para ser visto e submetido a todas as observações que se possa imaginar. Independente de tamanho, destinação, orçamentos despendidos, localização geográfica, "oscambáu", pronta, prontinha para ser elogiada, esculhambada, apelidada, etc. Coisa essa que não ocorre, na mesma proporção, com as demais manifestações artísticas, geralmente contidas em espaços menos oferecidos, salões, museus, casas de colecionadores.

Por isso mesmo, por essa circunstância específica, o tipo de trabalho que a gente faz permite que possamos tomar direções diversas, seja optando por fazer o que deve ser feito, o Projeto competente e inteligente, sem desmandos criativos, ou exacerbações desnecessárias, seja dando asas à imaginação e partindo para o delírio e a liberação da nossa, nem sempre, contida vaidade. Claro está, que no meio disso, existe um território onde podemos “habitar” e encontrar o equilíbrio necessário. O problema é a gente saber os limites desse território, o ponto onde encontrar a competência e o local onde descobrir a criatividade sonhada.

Escolhas complicadas, espaços de difícil exploração, muitas promessas de chegar ao limiar do Nirvana, encantamentos traiçoeiros. Dureza, a gente saber o momento de ser contido, ou o instante de “soltar a franga” da tal da criatividade. Pessoalmente, sou mais chegado à abordagem competente, talvez por saber que as genialidades não estão oferecidas a todos nós, simples mortais. E, talvez por isso mesmo, entenda, ou procure entender, tantas “derrapagens arquitetônicas” cometidas pelo mundo afora.

Manifestações geniais, mesmo? Busca de uma popularidade imediata, nesse mundinho tão midiático? Indicações de novos caminhos a serem seguidos? Puras exaltações enganadoras?

ARQUITETURA! QUE ARTE!!!

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Sunday, May 27

UMA INTERVENÇÃO

Um trabalho do escritório do Arquiteto Eric Owen Moss – EOM Architects (http://www.ericowenmoss.com)
Uma intervenção em São Petersburgo – Rússia, uma cidade do quarto século, localizada as margens do Rio Neva.
A proposta dos Arquitetos propõe a transição do passado para o futuro, nesse projeto para o novo Teatro de Mariinsky no Centro Cultural de Mariinsky.



Todo o trabalho de EOM Architects, tem um quê do que o grande público, não afeiçoado às andanças da Arquitetura mais ousada,digamos, chamaria de "Futurista".
Pessoalmente acho que eles pegam pesado, mesmo. Nada convencional sai de lá. Tento me acostumar, mas encontro alguma dificuldade. Talvez faça parte daquela divisão,minha, a segunda, dos projetos que eu não consigo pensar.
Mas, como conversamos hoje, eu e meu sobrinho também Arquiteto, e bom, desde que nosso trabalho,a Arquitetura, consiga ser alvo de comentários e apreciações, que tenhamos alguma visibilidade, "tô com eles e não abro".
Mais ou menos naquela linha do "falem mal, mas falem de mim"

PEGANDO PESADO
ps: aconselho, a quem não conhecer o "cara", uma visita no site da EOM

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Tuesday, May 22

DIVIDINDO (ME)

Normalmente, para um profissional com mais de 45 anos de atuação na Arquitetura, como acontece comigo, as coisas não devem proporcionar grandes surpresas. Grandes projetos, inovações, formas diferentes, abusadas ou abusivas, nada disso, normalmente, consegue produzir estragos nas nossas cabeças.
Normalmente, faço questão de enfatizar.

Deixo bem claro que, para isso, para que as novidades, aquelas realizações que ultrapassam a normalidade do dia-a-dia, o feijão-com-arroz, embora bem temperado e melhor servido, possam ser bem apreciadas e até entendidas, temos que nos manter antenados e procurando saber o que rola por esse mundão afora. Têm muita coisa aparecendo, enormes e diferentes projetos, realizações fora do convencional, capazes de aturdir os espíritos mais acomodados. Dentro desse panorama, dessa ótica, desse modo de ver as coisas e os acontecimentos, e para não sofrer sustos, ou decepções, vivo a vasculhar os sites dos coleguinhas mais famosos, catuco o Google atrás de imagens e informações, ando pelas livrarias procurando os bons livros e revistas. Não gosto de ser apanhado em flagrante delito de não saber das coisas da profissão. Tento, bem entendido!

Mas, embora essa pretensão, santa e modesta, vira-e-mexe, fico a olhar alguns projetos com aquela cara de quem não está entendendo nada. Aquela perplexidade do jumento a olhar para a Monalisa. Aí, é a hora da minha arguta cabecinha, tentando apaziguar os meus estarrecimentos, separar as coisas, simplificar o entendimento, ou o não-entendimento, e fazer a divisão.
Explico melhor.

Projetos:
-Esse eu acho que faria, ou poderia fazer:
São aqueles projetos, que por mais bem feitos e bem bolados, conseguem ser assimilados, por um Arquiteto Comum, talvez até com uma certa pretensão, digamos, e que eu vejo, consigo analisar, entendo com maior facilidade e não sofro nenhuma dúvida mental. Encaixo, numa boa!
Claro, quando isso acontece, imagino-me com uma equipe inter-disciplinar competente, uma verba adequada e prazo digno, como vejo acontecer em todos os grande Projetos de Arquitetura que se prezam. Situação essa, quase nunca oferecida a “nosotros”.


-Esse eu não faria nem submetido a torturas ou acionado por algum ácido!
É o caso de alguns projetos mais mirabolantes, mais criativos, onde não consigo me sentir confortável, independente de gostar ou não gostar. Tipo, um problema de, digamos, incapacidade de alcançar a proposta do coleguinha.
Confesso, sem nenhum pudor maior, do tipo “modéstia à parte”, que não são muitos, os projetos que espantam, mas são bem mais do que minha pretensão, numa boa, pretendia. Aí, fico chapado e caio dentro do projeto para procurar entender como o “cara” teve a ousadia de imaginar tal proposta, como é que uma cabeça pode ter aquela disponibilidade.


Nesse universo, até para manter a cabeça arejada e disponível para vôos mais ambiciosos, descarto os projetos ruins. Ruindade essa, e aí entra o meu gosto, puramente pessoal, por mim estabelecida. E, tem de monte!

O COLEGA TEM ALGUMA COISA A ACRESCENTAR?
ps: pretendo abrir uma seção, semanal, onde vou colocar exemplos dessa minha, pessoal, divisão. Com direito a explicações e defesa, rsrsrsrsrsrsrs!

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Saturday, May 5

MAIS UMA DO FRANK GEHRY

Por mais que seja complicado para o espectador comum acostumar-se ao visual dos projetos do FG, dificilmente esse mesmo espectador conseguirá passar frente a uma das suas criaçõesimpunemente, simplesmente, sem expressar alguma incredulidade pelo que está vendo, espanto pelo inusitado, até mesmo horror, ou algo parecido, pelo “jeitãoda coisa. O “cara” tem o dom!
Goste-se, ou não!

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Pretendo, algum desses dias, com a minha eterna vontade nunca cumprida de reativar pra valer o meu Arquiteto Comum, fazer um artigo sobre o Frank Gehry e sua obra. Claro, sem a profundidade dos grandes sites de Arquitetura, mas com uma apreciação descomprometida de quem pode se dar ao luxo de elogiar, ou pixar, a obra docara”.
Por ora, aqui no Obs. algumas imagens da sua obra em La Rioja, Espanha, no Povoado de Elciego, Alava, 110 quilometros de Bilbao. Uma localidade destinada ao cultivo do vinho.

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Comenta-se que ele custou a se decidir a fazer esse Projeto, e quando resolveu-se declarou queentusiasmado com o trabalho, quis homenagear a região, fazendo o edifício “surgir da terra como uma videira”. Ao apresentar o projeto à comunidade de Elciego, confessou: “Quis desenhar algo excitante, festivo, pois vinho é prazer”.
E assegurou:
“Não se trata de uma versão reduzida do Guggenheim, mas de uma evolução de estilo. Talvez esta seja a minha obra mais representativa neste século”.

CHOCANTE!
ps:trata-se de um pequeno e sofisticado Hotel

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Thursday, May 3

MARQUISES. UM PERIGO?

Outro dia li um artigo da Aline Alves, no site da Pini, sobre o que ela chamou de “Perigo Suspenso”.

Falava sobre um acontecimento, “em fevereiro de 2006, a queda de uma marquise na Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, provocou a morte de duas pessoas e feriu mais de 20”, e sobre a apuração das falhas que causaram o colapso da estrutura.
Continuava seu artigo, criterioso e esclarecedor, apontando todos os cuidados técnicos que devem ser tomados “a especificação correta e adequada do cobrimento de concreto em relação à armação, fundamental para não ocasionar problemas de fissuração, desplacamentos, corrosão das barras de aço e perda da capacidade resistente. Os valores mínimos do cobrimento, que dependem basicamente do elemento estrutural (laje, viga, pilar etc.) e da agressividade do meio ambiente”.

Pessoalmente sou um profundo defensor das marquises, notadamente no Rio de Janeiro, onde o sol e as chuvas, normais e abundantes, mais do que solicitam, exigem esse tipo de proteção.

Lembro-me, de quando fiz o Projeto de modificação do Hotel Marina (aquele de enorme altura e que, segundo meus alunos da Santa Ursula, é o responsável pela maior, e mais danosa, sombra na orla do Leblon e Ipanema), que não havia qualquer proteção no acesso principal do prédio. Ou seja, ou o “caraestava dentro do Hotel, ou estava fora, fazendo sol, ou chovendo, em qualquer circunstância, sem ter uma, digamos, “ante-câmara” que permitisse que ele pudesse esperar uma condução, algum amigo que estivesse chegando, em condições mais confortáveis. Pretendi, imediatamente, propor ao proprietário do Hotel a complementação do acesso com a adoção de uma marquise. E, pra mim, umamarquisona”, significativa, capaz de proteger e denunciar, agenciar, o acesso principal do Hotel. Ele aceitou e eu fui à luta.
Projetei a dita cuja!

Uma marquise com quase quatro metros de balanço(**), envolvendo a entrada principal e estendendo-se até o acesso de serviço. Uma puta marquise! Isso, convém esclarecer, numa edificação que já estava, a essa altura dos acontecimentos, com a estrutura totalmente executada. Ou seja, tivemos que criar condições de, apoiando na estrutura existente, “montaressa enorme peça complementar. Claro, tudo isso, toda essa exorbitância de idéias, uma quase arrogância do Arquiteto, baseada, garantida, pela competência do Calculista, José Maria Guerra Alvariz, que resolveu todos os problemas que eu estava a criar.
(**) a parte que está na rua João Lyra, até serviu para proteger um barzinho que colocaram ali.

Nem entro no mérito se a marquise é bonita, ou feia, não é a isso que me proponho escrevendo esse texto, mas a intenção é mostrar que marquises, “Perigos Suspensos”, assuntos que causam até a diarréia mental do alcaide, que decretou o fim delas, é um problema, se for, apenas de cuidados no projetar e manutenção ao longo do tempo.
E, cá pra nós, num prédio que já tem mais de trinta anos, com uma manutenção super descuidada (quando ainda morava no Leblon, e já lá se vão mais de dez anos, várias vezes procurei a gerencia do Hotel pra falar da marquise, de sua manutenção e limpeza),não existem, qualquer evidência de degradação ou sintomas de fadiga.

A marquise, as marquises, da qual eu tanto queria falar, faz tempo, foi apenas uma das peripécias” por que passei, na transformação, solicitada pelo proprietário de então, Luiz César Magalhães, na modificação do hotel de quatro para cinco estrelas.
Considero o que fiz no Marina, um exercício de criatividade, de quase arrogância, como poucas vezes tive que fazer. Pra mim, o maior laboratório” que tive que exercitar. Fiz de tudo!

ADORO UMA MARQUISE!
ps 1: projeto executado entre ´74 e ´76

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Saturday, March 10

TECHNORATI

Saturday, February 24

ZAHA HADID

"Zaha Hadid, 56 anni, naturalizzata inglese, prima donna a vincere il premio Prizker nel 2004, considerato il Nobel per l’architettura, è una figura di straordinaria rilevanza nella ricerca architettonica contemporanea, e che ha saputo trasferirne i contenuti in numerosi progetti di indiscutibile fama."

Com o projeto abaixo, Zaha Hadid venceu o Concurso para o Projeto do "Museo Meditarreaneo di Arte Nuragica e Contemporanea di Cagliari"











PLASTICIDADE E BELEZA!

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Sunday, February 18

DO LADO DA FEIURA

Já publiquei esse texto em outro blogue, o Bau do Observador. Reli-o outro dia e achei que caberia, muito bem, aqui no Arquiteto Comum. Tudo a ver!

DO LADO DA FEIURA
Um dos bons projetos que eu fiz, foi de uma casinha de vila, num lotezinho de 5.00X24.00m. No Maracanã, Rio de Janeiro, idos de 1975.
Já fiz projetos grandes, 12 hoteis, Escola Americana do Rio de Janeiro, casas de mil metros quadrados, mas essa casinha de vila sempre foi uma das minhas favoritas. Se não a própria!
Um verdadeiro desafio para quem, como os proprietários, desejava uma casa de sala e três quartos. E tem mais, como pediu a Vera, a cliente, com entrada de serviço separada da social. E não me venham perguntar da garagem, pois o carro deles ficava parado na ruazinha particular da vila, ora pois! Como de todos os outros moradores.
Claro, em dois pavimentos.

Mas, nessa belezinha de casa, um acontecimento encheu as minhas medidas.
Precisava executar uma parede que parecesse de pedra, não simplesmente revestida de pedra. Mandei vir uma partida de pedras de 50x50cm, dessas que se usam para fazer pisos externos, junto a gramados, que possuem uma face aparelhada (preparada para ficar a vista) e outra rústica e, digamos, mal acabada.
Contratei um calceiteiro (pra quem não sabe, é o cara que trabalha com pedras), já um senhor, que veio com um ajudante, um garoto. Acho que era o seu neto. Nem me lembro mais do nome do senhor.
Mostrei-lhe as pedras e disse-lhe:
O senhor vai partir as pedras, sem nenhuma intenção de ficarem iguais, até pelo contrário, e revestir essa parede (que já havia sido levantada pelo pedreiro) pra ela ficar com cara de parede de pedra, dessas tipo uma sobre a outra.”
“Sim senhor”, respondeu-me ele.
Tem mais”, continuei eu, “nada de escolher. Apenas pegue as pedras, sem olhar e assente na parede”.
“Estou entendendo”, falou o velhinho, com a cara total de quem sabia daquilo muito mais do que eu poderia imaginar.
“Mas tem mais uma coisa”,arrematei eu, “o senhor vai colocar essa pedras com o lado sem acabamento para ficar à vista, bem rústica”. Será que ele teria entendido? perguntei-me internamente.
Ele olhou-me, com um meio sorriso, altamente indulgente, e disse-me:
“Já sei, o senhor quer que eu coloque as pedras do lado da feiura”.
Falou isso sem nenhuma intenção de menosprezo. Ou porque estivesse achando que ficaria ruim. Apenas simplificava tudo aquilo que eu tentava passar a ele.

Nunca esqueci esse velhinho, de quem nem me lembro mais o nome.
A parede, ficou notável. Parecia uma parede de pedra, dessas que a gente vê em arrimos ou bases de sustentação de edificações. Uma maravilha!
E a sua definição, “do lado da feiúra”, uma lição de que nem sempre se precisa utilizar requintadas descrições para dizer as coisas certas.

ESTÓRIAS OBREIRAS, SIM SENHOR!

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Thursday, February 15

NSBRAZIL - PISOS ESPECIAIS

Meu filho, deu um tempo.
Tempo pra se retemperar das dificuldades que tem encontrado com um fornecedor de produto (material e mão de obra), para acabamento superficial do piso de sua casa, a CasaMB, de que eu tanto falo aqui no Obs.
O Carnaval se aproxima, e ele, e a minha nora Mariah, pretendem ter um pouco de paz e tranqüilidade para pensar no assunto e, sobretudo, descansar das promessas vãs e tentativas mal feitas, da empresa, em conseguir dar ao cliente o resultado oferecido e prometido pela NS.
Tenho evitado intervir nas tentativas / tratativas, entre o Bruno e a NS, no sentido de que o que foi contratado, e pago, seja executado. Estou aguardando.
Mas não pude deixar de enviar um e-mail (abaixo), tentando obter, oficialmente, uma explicação da empresa.
Mandei no domingo, 11 de fevereiro.
Prefiro acreditar nas boas intenções da NS, e que tudo se resolverá a contento.

Meu e-mail.

Cara NS,
especifiquei para a casa do meu filho Bruno Cals,na Granja Viana, Rua das Laranjeiras 150, Chácara dos Lagos, o piso cimentício.
O serviço foi (mal) feito, já tentaram, por mais de uma vez, corrigir o péssimo resultado e nada conseguiram.
No momento, por força do Carnaval que se aproxima, passaram a nova tentativa de correção para após o Carnaval.
Até quando essas tentativas de correção, que mostram o despreparo da empresa para conseguir fazer o serviço, contratado e pago pelo Cliente, se estenderá?
Material inadequado? Mão de obra deficiente? Falta de respeito com o Cliente? Desprezo pela especificação do profissional, que o recomendou, no caso o Arquiteto que ora escreve?
Ou tudo junto, sinal dos pobres tempos brasileiros?
Aguardo alguma comunicação da NS Brazil.
Atenciosamente
Fernando Cals – Arquiteto


Esperamos que a nossa expectativa de termos aquele piso, que aparece na propaganda e no “show-room”, se materialize na CasaMB.

PROPAGANDA ENGANOSA? PREFIRO NÃO ACREDITAR NESSA HIPÓTESE.
ps: a NS Brazil, assim mesmo, com Z, é uma empresa da capital paulista, especializada em pisos especiais.

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Wednesday, February 14

NÃO SABENDO, OU NÃO QUERENDO...

Enquanto a Montana (post abaixo), digna e profissionalmente procura o cliente e o Arquiteto, para saber das coisas e ajudar, tem gente que age diferente.
Duas semanas atrás, mandei um longo e-mail para a Florense, dita fornecedora de cozinhas planejadas, que até agora não se dignou responder-me.
Talvez, pelo longo e detalhado relato (ninguém gosta mais de ler, principalmente, se for para explicar erros e desatenções cometidas).

GOL CONTRA (O CLIENTE), FLORENSE. COISA FEIA!

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SABENDO LIDAR COM O CLIENTE

Creio que a idade, a chamada velhice, desde que não acompanhada da acomodação, ou da intolerância, pode nos trazer o que eu chamo de "sapiência" (vai entre aspas, pra não ficar pernóstico).Então, munido dessa minha "sabedoria", quando tenho que reclamar, reclamo, mesmo.

Em relação às coisas do meu trabalho profissional, sobretudo, reclamo com clareza, a dureza necessária (caso seja), mas sempre com educação.Reclamei e fui (bem) atendido, pela Pial Legrand, que substituiu as peças (interruptores) que estavam mal funcionando. Rápida e eficientemente. Como deve ser. Parabéns, reafirmo, Pial!

Semana que passou, enviei e-mail para a Montana (fabricante do acabamento superficial que aplicamos nas fachadas da CasaMB, o Osmocolor), relatando do aparecimento de manchas na madeira, solicitando explicações e procurando aconselhamentos. Precisava corrigir o que estava enfeiando as fachadas da casa.
Hoje, 12 de fevereiro, recebi um telefonema da Montana, Kelly o nome da pessoa que me ligou, que pediu-me que relatasse o que ocorreu, fez observações e prometeu uma visita à CasaMB, para verificar no local o estado das madeiras e definir o acabamento, possivelmente o próprio Osmocolor. Uma "expertise", do fabricante, para nos tirar as dúvidas. Mandei fotos, do antes (das manchas) e do depois (das manchas), para ajudar a compreensão do nosso "sofrimento".
Bacana, profissional, a resposta, pronta e atenciosa, da Montana.

VALEU, MONTANA! ASSIM, SE TRABALHA.

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Saturday, January 27

ESTÓRIA OBREIRAS (2). O LADO BOM.

Tem, também, o lado bom das coisas. Das coisas das obras.
E, já que a gente coloca os percalços, os “tombos” que a gente leva, as desagradáveis surpresas, devemos falar também das agradáveis. Mesmo quando elas, as boas surpresas, tiverem sido precedidas de preocupações, de dúvidas primeiras.

Tenho especificado, em diversas obras, o material de acabamento elétrico, tomadas, interruptores, etc, da linha Pial Plus, da Legrand. Simples, bonita e por preço conveniente, pra mim ocupa lugar de destaque nas minhas terminações. Obras grandes e pequenas. Mais luxuosas, ou mais simples. Tipo do material que consegue, pelo menos pra mim e meus clientes, agradar a “gregos e baianos”.

Mas, sei lá bem o porquê, na obra da Casa MB tive uma série de problemas, notadamente com os chamados módulos de acabamento. Principalmente com os interruptores, peças mais acionadas, a todo o momento, entra e sai, liga-desliga.
Na instalação da Casa MB, a quantidade de módulos que “suicidavam”, que despregavam da sua posição de trabalho, por mais cuidado que tivéssemos, foi, digamos, significativa. Lembro de um dia, em que eu via televisão, no Home Theater, sozinho, quando de súbito, ouvi um estalido e o interruptor searrojou”, sala a dentro, tecla prum lado, molinha pro outro (sumiu), uma espécie de balancim no chão, apagando a luz e, já que era um interruptor paralelo, evitando até que eu pudesse acionar a iluminação pela outra tecla.
Isso, ou parecido, já havia acontecido em diversas ocasiões, em outros compartimentos, pouco diferente, mas sempre causando dano ao sistema e impedindo a utilização da iluminação.
Trocamos, um monte de vezes, os tais módulos, que mesmo não sendo tão caros, sempre traziam um gasto inesperado. E aparentemente desnecessário, ora bolas!

Desses acontecimentos, notificamos, eu e o Bruno, cada um a seu modo, a Legrand. Rapidamente, tivemos o contato de alguém da empresa, com o Bruno, que procurou saber do que acontecera, prontamente se dispôs a solucionar o problema e deverá fazer a troca de todas, TODAS, as peças que lá estão montadas. Atitude integralmente profissional, do tipo que qualquer cliente e Arquiteto esperam dos fornecedores. Apesar de que, isso nem sempre acontece.
Meus, nossos, agradecimentos a Legrand, pela atenção e pela rapidez da resposta.
Havia manifestado à empresa, minha desconfiança em continuar a especificar a linha Pial Plus, perguntando, inclusive, se haviam modificado alguma coisa no material. Mas a rápida resposta e providência, devolveu-me a confiança.

LEGRAND – PIAL PLUS, PARABÉNS!

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Wednesday, January 3

ESTÓRIAS OBREIRAS (1)

Certamente, em qualquer obra, projeto, seja lá qual for a atividade que estejamos desenvolvendo, como Arquiteto, executor da obra, Coordenador (bom tema para discussão futura), todos sempre teremos uma enorme quantidade de fatos a revelar. Estórias a contar.
Elogios a fazer e reclamações a colocar.
Pois! Vamos a uma delas.

No início do ano de 2006, obra da Casa MB em pleno andamento de sua estrutura, planos para terminar a obra ainda a tempo de vermos a Copa do Mundo na casa (frustramos a data e frustraram-nos a Copa, depois), numa de nossas discussões (eu, Bruno e Mariah) sobre acabamentos, materiais, em visita ao shopping D&D, acabamos entrando em várias casas, lojas, que vendem cozinhas planejadas. Vimos várias, gostamos de diversas, espantamo-nos com os preços, até que nos deparamos com uma que encheu os olhos do casal, meu filho e minha nora. Gostei, também!
Tinha, além do mais, um preço razoavelmente acessível, estava numa promoção, pois a Florense (essa a loja), estava remontando o seu show-room e estava se desfazendo do que estava por lá montado. Avaliamos o que existia, dimensões e adaptações, o pessoal da loja foi muito solícito, fizeram / fizemos as contas e acabou-se por fechar o negócio.
O equipamento, a Cozinha, ficaria guardada nos depósitos da Florense (essa a loja, a vendedora), até quando precisássemos dela na obra.

A seguir, enquanto a obra rolava, fazíamos, eu de cá e eles, os técnicos da Florense, desenhos e indicações, sobretudo das instalações (água, esgoto e eletricidade), para que a adaptação fosse coroada de êxito (ops!). Medidas imbatíveis foram exigidas, já que as peças seriam adaptadas ao local e a bancada, de Corian, teria que ser cortada para caber no local.
Exigências quase milimétricas!
Para constatar, e aprovar, o que fora marcado em plantas, recebemos a visita da técnica (Eliane), que verificou tudo e aprovou o que estava executado. Na ocasião, eu estava presente e disse, textualmente, que tudo que precisasse ser feito, ou modificado, caso fosse, seria uma questão dela solicitar. “Não precisa mudar nada. Está tudo correto”, afirmou a Eliane.
A obra continuou, o prazo previsto foi prorrogado, falamos com a Florense, eles foram super simpáticos e entenderam a mudança de data, “podem ficar tranquilos, aguardamos o dia certo...”, tudo muito bom tudo muito bem. Ainda eram os vendedores tratando bem, do comprador. Que já havia pagado tudo, conforme combinado sem qualquer problema.

Chega o momento da montagem da Cozinha:
armários baixos, sob a bancada, aquela de Corian que precisaria ser adaptada, cortada, para caber no local (bastante conhecido da Florense e dos seus técnicos e vendedores), armário alto (acima da bancada), e um armário em toda altura, onde ficaria montado o forno de embutir. Aportou na obra o conjunto de peças e equipamentos, foi colocado em um local adequado (dentro daquela loucura que se pode chamar de local adequado, quando se está acabando uma obra) e se marcou para a próxima 2ª feira, dia 11 de dezembro, a entrega e início da montagem. Em tempo, a tal bancada de Corian (material lindo e bastante adequado, gostei muito!), receberia, embutidos, a cuba (uma cuba “gringa”, com esgoto especial) e o fogão de sobrepor. Tudo isso perfeitamente conhecido da Florense, que foi quem vendeu o conjunto todo. Destaque-se!
2ª feira, dia 11, chegam os montadores: Emerson e Gilson. Na verdade, que montou, mesmo, foi o Gilson. A primeira providência do Gilson, quando viu as instalações, notadamente o esgoto da cuba, foi dizer que não dava. Que estava errado, fora de altura.
Disse-lhe que a cuba era especial, que a instalação havia sido aprovada pela Eliane, a técnica que fizera a revisão, etc. Ele continuou montando os móveis, que ficariam abaixo da bancada (a de Corian, aquela!!!), sempre resmungando, mas trabalhando legal. Terminou a colocação do mobiliário e fiz-lhe a pergunta:
E a bancada, que precisa ser cortada e tem que ser trazida até o local? Quem vai fazer isso?”
Eu só monto o mobiliário”, respondeu o Gilson. Nem se deu ao trabalho de limpar o que fizera, deixando tudo sujo, marcas de dedos, laminados manchados...Nem parecia ser com ele. Melhor, pelo jeitão, não era!

Tratei de ligar para a Ana, encarregada dos agendamentos das montagens, que, e isso passou a ser a tônica do comportamento da Florense, em todos os seus setores, “tirou o dela da reta”, e disse-me que “o tampo não faz parte da compra do equipamento ( e da montagem), e foi uma cortesia da Florense” Só faltou dizer que foi “de grátis”.
Eu que me virasse, não disse, mas cheguei à conclusão!

Não satisfeito, liguei para a própria Florense, sendo atendido pela Márcia, “representante da empresa”, como ela disse, que me deu toda a razão, “temos que resolver esses problemas, afinal o cliente tem que ser bem atendido”, o que me deixou contente. Quem sabe, pensei, agora alguma coisa começa a fluir e o tampo vai ser cortado e colocado no local?
Puro engano, pois à tarde, quando meu filho telefonou para mesma Márcia, ouviu dela que o tampo era um problema nosso e a reafirmação daquela estória, triste e idiota, de que “havíamos ganhado o tampo”. O que qualquer um pode entender, é que o cliente, no caso o Bruno, jamais levaria um tampo de “presente”, se não comprasse a Cozinha toda.
Nesse capítulo todo da Cozinha e do tampo, principalmente, um atendimento, uma atenção, especial, do Fábio, da Alpi (fornecedora de Corian) que me telefonou e tratou de dar todas as indicações de como proceder, para tentar resolver, “in loco”, com nossos recursos esse “imbróglio”). Foi super atencioso e legal, já que não dispunha de pessoal no momento.
Resumindo o assunto “tampo de Corian”: cortamos nós mesmos, adaptamos tudo e montamos no local. Mas, não parou por aí!

Vieram, então, os carinhas que montariam a cuba, o esgoto da cuba. Imediatamente exigiram que o esgoto fosse rebaixado em 10 cm, única maneira de caber o sifão, um sifão plástico flexível, tipo loja 1,99, mas o único que se adaptava às exigências locais
(aqui mais um erro da Florense, que não se deu ao cuidado de examinar o que vendia, que era apenas uma peça de exibição, na loja, projetando para execução na obra uma instalação inadequada, o que fizemos e foi aprovado pela Eliane. Ressalte-se que a técnica Eliane, não participou da venda, tampouco do projeto de instalação. Apenas conferiu o projetado e executado).
Tivemos que cortar a fórmica da parede, rebentar o que estava feito no esgoto e rebaixa-lo, uma gaveta do mobiliário teve que ser inutilizada, rasgos inesperados foram feitos no arremate inferior do móvel, tudo isso para acertar o que deveria ter sido melhor projetado. Sem contar que ficaram aparecendo ( e eu pretendo minimizar) um pedaço do horroroso sifão e um pedação do flexível da ligação de água.
Incompetência total e descaso com o cliente.

Mas, a Cozinha ficou linda, os pequenos (!?) inconvenientes foram (mais por nós do que pela Florense) resolvidos e acabamos entendo coisas muito interessantes:
1-nunca se deixe levar pela conversa de vendedor. Vendem bem, mas o pós venda, é lamentável. Nada de novo, mas convém reafirmar: Todo o o cuidado é muito pouco!;
2-o Corian, não é esse bicho que se teme tanto. Dócil, fácil de trabalhar, só precisa de que se leve em conta que é delicado e, sobretudo, muito caro. Cuidado, pois, com ele;
3-pra não dizer que não falei de flores, embora deficiente com o atendimento técnico, a Florense, através seus vendedores, o Arquiteto Klecius, e seus técnicos e, até mesmo, a representante Márcia, sempre foi educada. Pena que não bastasse isso para eu considerar um bom serviço, no total da encomenda.
Mas isso, reitero, não parece ser uma preocupação de quem fornece para as obras. São os tempos!
4-nota para a Florense? 5(cinco) e olhe lá!


FLORENSE – UMA COZINHA PLANEJADA.

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Tuesday, August 8

MNBA – MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES / RJ

Ainda outro dia, coloquei no Observador minhas dúvidas (existiriam?) quanto aos aspectos de dois projetos de Arquitetura.
De um deles, do tal Parque Cidade Jardim, pela sua evidente indigência geral, escuso-me a comentar nesse momento.

Do outro projeto, descuidadamente não prestara atenção na foto da maquete em branco, onde irrompia, qual tumultuado trambolho no pátio de um edifício mais antigo, uma agressiva (vá là!) torre, que era o prédio do Museu Nacional de Belas Artes, do Rio de Janeiro. Prédio lindíssimo, tombado, patrimônio das (poucas) coisas belas ainda preservadas em terras cariocas.
Chamou-me a atenção o amigo Mauro Magliozzi, Arquiteto como eu, desse fato, dando-me o atalho para a reportagem publicada na revista Projeto (das melhores do Brasil). Fui lá e “rapteidois trechos do artigo que fala do projeto, abaixo e com algumas considerações minhas.
Tive todo o cuidado, pois o projeto é do Paulo Mendes da Rocha, uma das minhas maiores (ou a maior) admirações em Arquitetura e do grupo Metro, altamente qualificados e competentes. Ou seja, só tem craque no time que “cometeu” (minha opinião) tal deslize arquitetônico.

Aos trechos da reportagem

“O elemento mais contundente do projeto é a torre de 14 pavimentos (com 70 metros de altura), de térreo livre, que ocuparia o pátio central do edifício, com 30 x 30 metros. Segundo os autores, o volume não interfere na escala do museu e do entorno, ficando dentro do gabarito da região e, do ponto de vista do pedestre, praticamente imperceptível. No térreo, sem pilares, seriam instalados alguns serviços, como lojas e restaurantes. Nos andares mais baixos, onde há coincidência entre a edificação nova e a antiga, os pisos se comunicariam e teriam cotas iguais. De forma geral, a torre é composta por área de exposições e cinco pavimentos de reserva técnica.”

Notas minhas 1:
1-, “ficando dentro do gabarito da região”.
Simplesmente atinar para as solicitações legais, tipo gabarito ou coisas semelhantes, numa legislação capenga e viciada como a do Rio de Janeiro, é rigorosamente pobre em termos dos cuidados que a edificação mereceria;
2-“ do ponto de vista do pedestre, praticamente imperceptível”.
Facam-me o favor, queridos colegas!!!
E que tal vendar, caso necessário, os atrevidos que se dispuzessem a olhar, de algum ponto mais alto, e pudessem ver o “troço”, a pouco inspiradaestupro-edificação”?

“Com a saída de Herkenhoff da direção do museu, em janeiro passado, o futuro do projeto de Mendes da Rocha é incerto. Uma das alegações para seu pedido de demissão foi o vazamento de alguns detalhes da proposta aqui apresentada. A nova diretora, Mônica Xexéu, tomou posse em abril, e ainda não se posicionou publicamente em relação ao futuro do projeto.”

Notas minhas 2:
1-“ Com a saída de Herkenhoff da direção do museu, em janeiro passado, o futuro do projeto de Mendes da Rocha é incerto.”
Ainda bem, pois o cara parece que delirava quando pensou em tal cometimento;
2- “A nova diretora, Mônica Xexéu, tomou posse em abril, e ainda não se posicionou publicamente em relação ao futuro do projeto.”
Seria o caso de interdição médica, através junta de psicanalistas, da Mônica Xexéu, no caso dela resolver executar tal projeto. Nem mesmo a defesa que a presença do laureado PMR avalizaria o projeto, pode servir de argumento.

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O Museu, a frente, e o estorvo, "encaixado"
Você, pedestre carioca, deixaria de ver tal "trapizonga"?

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Pra mim, um brutal engano da Arquitetura, tal proposta. Inexplicável!

Sinceramente, fico a imaginar o que pode ter levado tão consciente grupo de profissionais a topar cometer esse desatino proposto pelo Herkenhoff.
Fama e reconhecimento? Responder a um grande desafio?

Torço, ardentemente, para que essa proposta seja arquivada, o prédio do MNBA permaneça intocado, ou que surja alguma idéia mais adequada.
Às pessoas que demonstrem desconhecimentos sobre o que estamos colocando, sugiro uma visita ao Museu, um percorrido pelo pátio central, para aniquilar, de imediato, qualquer dúvida de que esse projeto, essa proposta, é incabível.
Necessário aumentar a área de estoque? Local para laboratórios e áreas de preservação e restauro? Caso seja, procurem outro local para isso.

PREFIRO ESQUECER QUE ISSO PODERIA ACONTECER!

Thursday, April 20

UMA QUESTÃO DOS “TEMPOS MODERNOS”

A reserva técnica deve ser regulamentada ou banida?
A prática de receber comissões ou percentuais pela especificação de marcas, produtos, sistemas ou pela indicação de lojas é alvo de polêmica tanto entre arquitetos quanto entre os fornecedores e, claro, os contratantes. Há os que defendam a prática, desde que seguindo alguns critérios. Há os que abominam a chamada reserva técnica e levam o assunto ao campo da ética profissional. De qualquer maneira, a polêmica traz à tona um tema delicado, que remeta talvez a uma necessidade de rever os aspectos a serem considerados na hora de cobrar pelos projetos. AU conversou com arquitetos, engenheiros, consultores e representantes de entidades ligadas à arquitetura para saber se, afinal, a reserva técnica deve ser regulamentada ou banida pelos arquitetos.


Pergunta levantada pela revista AU (Arquitetura e Urbanismo) da Editora Pini, que ouviu a opinião de vários profissionais.

Meto o meu bedelho no assunto e discorro sobre o que vivi, penso e acompanho, no que coloco como

UMA QUESTÃO DOS “TEMPOS MODERNOS”

Já houve um tempo em que os Projetos de Arquitetura eram entendidos como necessários e seus pagamentos, os tais dos honorários, permitiam que os profissionais, além de trabalharem para produzir bons resultados, ao final desses trabalhos, cliente satisfeito e missão cumprida, conseguissem ter o que se chamava, oh! coisa antiga e hoje desprezível, lucro. Mais simplesmente, alguma graninha sobrando ao final do trabalho, que permitisse que o/a “cara” pudesse dar uma viajadazinha de férias, trocasse o seu veículo, ou, ainda mais simplesmente, botasse as contas em dia. Sempre, mais para essa última opção.
Mas, tempo que passa, concorrência que se avoluma, clientes mais sovinas e “cautelosos”, numa boa minha gente! (dedicado aos nossos queridos clientes), os tais valores cobrados, os números da tabela do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), do próprio Sindicato, enfim, o que se conseguia cobrar, caiu lá pro fundo. Profundo, mesmo!
O que fazer, perguntaram todos? Todos, ai bem entendido, “nosotrosArquitetos e assemelhados, que viviam desse labor (ops!).
Estarrecimento geral, cabecinha à trabalhar, chegou-se a conclusão que os ditames(ops, again!) do IAB, talvez do Sindicato, do que se concebia de necessário para fazer um Projeto, e/ou uma Obra , devia ser depurado.
Nada de tanta especulação, EP (Estudo Preliminar), AP (Ante Projeto), PE (Projeto Executivo), detalhes em profusão, especificação de materiais, o Arquiteto fazendo a coordenação dos Projetos Complementares, etc. Exageros!
Fazia-se mister (de novo, ops!) simplificar o trabalho, no popular, diminui-lo, para “adequar” a encomenda ao preço estabelecido (melhor falando, diminuído). Valor pequeno, Projeto adequado. Dura realidade!

Mas, cabe perguntar: e a qualidade do nosso trabalho, pra onde é que vai? Como garantir que o que criamos, vai ser seguido, entendido. Será que nessa diminuição de desenhos, nessa compressão a que o Arquiteto foi obrigado a se adaptar, sobrou espaço conveniente para passar ao executante da obra tudo que ele precisa? Pessoalmente, duvido!
Mas, quase que num passe de mágica, o Cliente, iludido e iludindo, aceitou essa “mudança de rumo”, desde que o preço total diminuiu. No papo, todos, Arquitetos e Clientes, fingem que é a mesma coisa. Me engana que eu gosto, de parte a parte.
Costumo dizer que, entre o que projetamos, e o que se realiza, ficar igual, ao final, pode ser mera casualidade.

Mas, porra!, aonde é que entra a tal da RT? Nos viemos aqui pra conversar ou para discutir a RT? Vamos a ela, pois!

Eu, que sou antigo, na idade e na profissão, tomei conhecimento dessa “categoria”, lá pelo ano de 1962/63, no meu primeiro emprego, Módulo Imobiliária e Construtora, quando chegou ao escritório uma correspondência da Eternit, perguntando se a comissão (ainda se tinha a coragem de chama-la pelo seu nome próprio) pela compra do material, seria destinada ao Arquiteto, à Construtora, ou ao Cliente? No caso, o Arquiteto em pauta não era eu, sim o sócio da Construtora. Foi para a Construtora, sem qualquer constrangimento. O preço, de catálogo, não sofrera qualquer majoração, para a negociação. Tudo perfeito. Dentro dos conformes. Ninguém ofendido, seja o fornecedor, seja a Construtora.
Tempo que passa, valores de Projetos reduzidos, aquelas manobras pactuadas entre Clientes e Arquitetos para “adequar” valores, eis que surge o maior interessado, o fornecedor, atento e dissimulado, oferecendo a tal comissão. RT, "modernamente".
Claro, muitos profissionais, talvez assolados pelos compromissos de cada fim de mês, “sugestionam” os fornecedores, negociam, alguns induzem os comerciantes, e surgem as propostas, com o “cascalho”* destinado a suprir os valores negados pelos Clientes aos profissionais. “Cascalho” esse, conhecido de todos, Arquitetos e Clientes.
Aqui, vale uma importante ressalva: quando falo no Arquiteto, aprisiono-me ao nosso segmento. Dele não passo, por questão de escrúpulo. Fico na minha, na nossa. Isso porque, certamente o Construtor, que lida com os materiais mais vultosos, que faz compras mais volumosas, esse sim, pode ficar com a parte do leão.
Tentando dar um cunho, digamos, legalista à manobra, surge, impávido colosso, a Reserva Técnica, RT. Nome pomposo, quase científico, mas que no fundo, é a tal comissão que eu conheci nos idos de 1960, recém-formado, no meu primeiro emprego. E desse, ninguém esquece.

Aceitável, anti-ético, escabroso, normal, dadas as circunstâncias, mesmo colocando a nossa posição em cheque, nesse País do mensalão pode vicejar e vingar. Virar uma nova realidade, que embora vilipendiando o Profissional consciente, que dele pode se afastar, tornou-se do conhecimento de todos e é, muitas vezes,explorado pelo Cliente, que usa a RT como argumento na hora da negociação dos valores dos Projetos.

Acredito que tal prática, da RT, seja uma das facetas da conhecida falta de educação e cultura de nosso povo, ai todos incluídos, que dificilmente conseguirá ser abolida. Conviver com isso, sentir-se meio transgressor, meio marginal, ouvir de um fornecedor menos cuidadoso o aviso que “tem uma gordurinha pro senhor”, e algumas brincadeirinhas desagradáveis de Clientes, é uma coisa que cada um de nós tem de resolver, cada um, reitero, pra saber que rumo podemos dar para essa situação.
Complicado para a maioria, engraçado para alguns, tanto faz para muitos, sobrou pra nós!

E VOCÊ, COLEGA? JÁ PENSOU NO ASSUNTO? FALE-ME!
*nome “artístico” pelo qual é conhecido o famoso por fora, aqui na Serra.

Wednesday, March 15

ARQUITETO E URBANISTA

Virou moda, alguns Arquitetos, principalmente os mais jovens, ostentarem em sua placas, ou currículos, essa denominação. Pura ostentação, mesmo!
Arquiteto, tudo bem!
Afinal o/a "cara" fez o seu curso, cinco anos, várias cadeiras de Projeto de Arquitetura (já foi chamado, equivocadamente de Planejamento de Arquitetura, no auge do "milagre" dos tempos da ditadura militar). Direcionou a sua carreira e vida profissional, pós formatura, para esse sentido. Mas Urbanista? Reitero, ostentação e mania de grandeza.
Ou, pior, descrédito na sua verdadeira função, que é ser Arquiteto. Parece que eles estão com vergonha de ser Arquiteto.

Explico a minha estranheza sobre o “ser Urbanista”.
De fato, o nosso título profissional, o que diz o nosso diploma, fala que somos Arquiteto e Urbanista. Ta lá, no papel!
Mas, pensem comigo: o carinha sai da Faculdade com seus vinte e poucos anos, na maioria pouco apetrechado até para um projeto de Arquitetura mais denso, até pela natural falta de experiência, e se arroga o direito (pior, isso ele teria, legalmente) de se proclamar Urbanista. Imaginem os amigos, comparar, em termos de atribuições legais, e não vou falar de competência (covardia!), esse jovem profissional com um Lúcio Costa, por exemplo, um Jayme Lerner, etc.
Em tempo, só pra quem talvez não saiba, ou não se lembre, sou Arquiteto, turma de 1960, Faculdade Nacional de Arquitetura / RJ. E mais, 14 anos como professor universitário, na Universidade Santa Úrsula (1974 / 1988), tendo perfeito conhecimento de como sai formado um jovem Arquiteto. Urbanista...duvido!
Ah!, pelas minhas prerrogativas, também poderia me declarar Urbanista, coisa que nunca figurou em qualquer de minhas placas de obras, ou currículos.

Conclamo, pois, os coleguinhas a execerem mais criteriosamente a sua verdadeira profisssão, de Arquiteto, ou comprovarem suas aptidões urbanísticas, antes de se declararem como tal. E não me venham com um projetinho de loteamente, pois isso não é Urbanismo e sim urbanização.

ARQUITETO, COM MUITO ORGULHO!

Friday, January 6

UMA QUESTÃO LEVANTADA

A revista AU (Arquitetura e Urbanismo)da Editora Pini, levantou a seguinte questão:

Fato & Opinião
O arquiteto deve ter a obrigação de acompanhar a execução da obra que projeta?
A maioria dos profissionais concorda: a presença do arquiteto responsável ajuda, e muito, no desenvolvimento de um projeto de qualidade. O que falta, então, para que haja maior envolvimento nessa fase? A preocupação do contratante, um modo de contratação que contemple todas as fases do empreendimento e a visão de que, mais do que obrigação, a presença do arquiteto é uma necessidade são apenas alguns dos argumentos apresentados. AU conversou com arquitetos e engenheiros para saber a opinião desses profissionais sobre o tema. Confira as respostas.

De fato, as respostas de profissionais mais do que competentes, só indo a revista para conferir.

Mas a convocação, quase desafio, serviu para me dar o mote do post.
Isso posto, metido que sou, mais do que isso, Arquiteto que sou, mais de 45 anos projetando e tocando obras, digo o que acho dessa “obrigação”.
Pra isso, pra dar minha opinião, e conseguir explica-la, justifica-la, um pouco de estória.

“Formei-me em 1960 pela Faculdade Nacional de Arquitetura, Rio de Janeiro. Antes mesmo de me formar, já estava metido em assuntos de obras. Estagiei, comecei a acompanhá-las, desde o 2º ano da Escola e habituei-me a conviver com os “problemas” oriundos dos diversos tipos de Projetos. Desde os de Arquitetura (coisa nossa, supostamente!), até os oriundos das “mãos” de outros profissionais (suponhamos os técnicos, suponhamos os engenheiros), e as inevitáveis incompatibilidades decorrentes de uma falta de coordenação
Dentro da obra, afinal estagiário ou já formado, eu era o, digamos, Engenheiro da Obra. Impossível para nossos padrões de leitura, pelo menos naquela época, imaginar um Arquiteto a tocar uma obra. “Isso é coisa para Engenheiro”, diziam todos. Seja para assegurar uma idéia de segurança, que o Arquiteto (eternamente visto pelo consumidor como “aquele porra-louca que desenha os projetos”*) não conseguia passar, seja, até mesmo, pela própria categoria, nós, os Arquitetos que nos imaginávamos de uma classe superior, os Criadores.
”Obra, aquele espaço contaminado, operariado, material, sujeira e calor...tô fora!” Prefiro meu escritório, ar-condicionado, minha prancheta (naquele tempo existia esse apetrecho estranho, com régua Tê e tudo).

Fiquei mais de dez anos, desde o 2º ano da Faculdade, mais na obra do que na prancheta. Adquiri, por conta desse “aprendizado”, um conhecimento das coisas do PROJETO DE UMA EDIFICAÇÃO, em sua totalidade, que serviu para o resto da minha vida profissional. Mais ainda, mostrou-me, claramente, que o Arquiteto é o verdadeiro homem para tocar a obra. Melhor dizendo, para estar na obra, presente e opinante. Opinante e definidor!
Não! Não estou a falar em causa própria, seja minha, seja do Arquiteto. Falo em nome do bom andamento, do bom acabamento, do bom casamento dos tais Projetos Complementares (Estrutural, Instalações, etc), de uma boa ordenação das coisas da obra. Claro, para isso o próprio Arquiteto precisa se mobilizar, procurar conhecer os meandros e sortilégios das tais outras disciplinas que compõem o universo de uma construção, se habilitar para ocupar o lugar que, em outros centros mais adiantados, lhe é assegurado.

Simplificado que seja, meu raciocínio é lógico:
Se eu, o Arquiteto, projetei a edificação, vislumbrei todos os seus desdobramentos, consegui imaginar aquela idéia terminada, pronta e habitada, de cabo-a-rabo, quem mais poderia saber melhor como conduzi-la? Quem mais poderia entender as diversas interfaces entre os projetos técnicos e suas interferências com o Projeto de Arquitetura, gerador de toda essa “trapizonga” que se chama uma obra? Um outro profissional que pegou nosso projeto, deu uma olhada geral e lançou sua estrutura? Ou outro qualquer, que mal viu nosso projeto, nem acesso teve ao de estrutura, e fez seu projeto de instalações? Um, sem falar com o outro? Como pode dar certo?
Somente os deuses da sorte, abençoados e quase sempre presentes nas construções, conseguem desvendar tal mistério.


Divaguei, parece! Volto ao ponto.
Então, sem querer tirar o bom-bocado (será?) da boca dos “engenheiros de obra”, acho que o lugar correto do Arquiteto,não como uma Obrigação imposta a ninguém, mas como uma medida salutar e preventiva,é no acompanhamento da obra. Seja por ele projetada, preferencialmente, seja na de outro colega. Aos colegas Engenheiros, caberia uma sadia e necessária colaboração, nos aspectos mais puramente técnicos, mais detalhadamente específicos, mais imediatistas. Cabe esclarecer, tão importante quanto!”

Bom! Essa introdução à discussão, deveria / deverá gerar um monte de desdobramentos, algumas vaidades feridas, algumas discussões sobre campos de atuação invadidos, e, sobretudo, o ponto básico e crucial dessa matéria:
Quem pagaria a conta?

ACEITAM-SE (SUPLICAM-SE) SUGESTÕES E DEBATES!
*nos meus bons tempos de estudante, jovem Arquiteto, corria uma piadinha sobre o nosso perfil:
O Arquiteto, é um sujeito com olhar levemente distraído, duas ou três lapiseiras 6B no bolso da camisa, ou paletó, cheio de idéias diferentes. Algumas, inexeqüíveis!

Outros, ainda diziam que o Arquiteto era uma espécie, diferente, de lulu de madame.

Wednesday, December 14

CONCURSO PÚBLICO PARA PROJETO DE ARQUITETURA

CONCURSO PÚBLICO PARA PROJETO DE ARQUITETURA, PARA REVITALIZAR ÁREA DO PRESÍDIO DO AHÚ

O concurso público para escolha do projeto arquitetônico do Centro Judiciário de Curitiba, anunciado nesta sexta-feira pelo governo do estado, é o primeiro passo na revitalização da área que abriga atualmente a Prisão Provisória de Curitiba (PPC), no bairro Ahú. O centro, com 170 mil m2 e custo total de R$ 20 milhões, manterá da arquitetura original os prédios do pavilhão, enquanto o terreno onde está o prédio em frente do PPC se tornará uma praça. Os detentos serão transferidos para novos presídios a serem entregues em 2006. As informações são do repórter Marcos Xavier Vicente, da gazeta do Povo.

Na próxima sexta-feira começam as inscrições dos projetos, que vão até 17 de março, com o resultado a ser declarado em maio. Arquitetos de todo o Brasil poderão participar – os projetos não podem ultrapassar o valor de R$ 2,168 milhões. A premiação será distribuída da seguinte forma: R$ 125 mil ao primeiro colocado, R$ 75 mil ao segundo e R$ 50 mil ao terceiro.

Os projetos serão avaliados por uma comissão mista de oito arquitetos, um engenheiro civil e um representante do Poder Judiciário indicados pelas secretarias de Estado de Obras Públicas (Seop), de Desenvolvimento Urbano (Sedu), Tribunal de Justiça (TJ), Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea), Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná (Sindarq) e Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).

Segundo a arquiteta Myrthes Lacerda de Medeiros, representante do TJ na comissão, a expectativa é de que 100 projetos sejam inscritos no concurso. “Estamos tomando como base um projeto recente da Petrobrás, da mesma proporção, que teve esse número de inscritos”, afirma.

A opção da escolha do projeto por meio de concurso já movimenta o meio arquitetônico. Conforme explica o superintendente-executivo da Sedu e membro da comissão julgadora, o arquiteto Luiz Forte Netto, há aproximadamente 30 anos não se realiza concurso desse porte. Recentemente, a própria secretaria realizou concursos, porém de menor porte. “Esse é um dos maiores concurso de projetos arquitetônicos do país. Por isso a importância, já que há poucos dessa dimensão”, aponta.

Para o presidente do departamento paranaense do IAB e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, João Virmond Suplicy Neto, o concurso é um avanço na discussão de idéias arquitetônicas. “O arquiteto que se inscrever terá a chance de medir seu potencial com os melhores profissionais do Brasil”, aponta. Além disso, ressalta Suplicy, o concurso dá a chance do surgimento de novos talentos.

ACREDITE QUEM QUISER!

Saturday, October 22

CRONOLOGIA CASA MB

Quase uma estória em quadrinhos.

Primeiro a escolha do local. Lindo e muito arborizado.
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Depois, já completada a parte externa, rua, infra-estrutura, etc..., o lote apareceu.
Removemos algumas árvores, o mínimo, para implantar a edificação. Ainda ficaram muitas delas!
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Iniciamos as escavações para as fundações, sapatas, arrimos...
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Fundações, seguras e cuidadosas, foram executadas
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As lajes do piso térreo foram concretadas. Começávamos a ver a dimensão da coisa!
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Segurança é tudo. Nada como um competente muro de arrimo. Caro, mas necessário.
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Agora estamos iniciando a estrutura para o pavimento superior. Na foto, alguns pilares, formas em madeirit resinado. Os pilares ficarão aparentes. Beleza e economia!
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PARECE FÁCIL, MAS DÁ MUITO TRABALHO!

Monday, September 12

QUAL É A SUA OPINIÃO SOBRE A CRÍTICA DE ARQUITETURA?

Pergunta extraída do site da PiniWeb.

Assim como o cinema, o teatro e a música, a arquitetura se alimenta da crítica. Há, entretanto, quem enxergue falta de ética quando um projeto é analisado por outro profissional. Conheça a opinião de Oscar Niemeyer, Sérgio Teperman, Carlos Eduardo Comas, Milton Braga e Paulo Bruna.

"Creio que é preciso distinguir duas conotações do verbo criticar. De um lado há a acepção pejorativa de 'falar mal', de denegrir uma reputação, ou uma obra. De outro está a acepção de exercer um trabalho construtivo de criticar, isto é, de inserir uma obra, ou uma carreira, em um contexto econômico, social, político. Essa segunda acepção é necessária e, se levada adiante, com critério e cultura, tem o mérito de contribuir para a evolução da arquitetura. Neste sentido, a crítica é ética se isenta de preconceitos - tanto quanto possível - e busca o conhecimento e o desenvolvimento da profissão."
Paulo Bruna

"Crítica não é ofensa, se for feita por profissionais qualificados e bem-intencionados. Por outro lado, uma crítica de arquitetura não é necessariamente negativa, uma crítica pode ser um elogio. Entendo que é mais fácil fazer crítica quando somos atuantes na área de projetos. É como os técnicos de futebol: os bons são ex-jogadores, mesmo que maus jogadores. Todos nós fazemos bons, médios e maus projetos, estes, ainda que bem-intencionados, às vezes apresentam maus resultados. Quem sai na chuva é para se queimar. Portanto, não existem profissionais perfeitos, idolatrados, que não possam ser criticados e o corporativismo neste caso é detestável. E, finalmente, para as revistas de arquitetura, críticas de projetos não são simples descrições ou memoriais descritivos."
Sérgio Teperman


"A arquitetura, boa ou má, representa sempre um momento de procura e esperança profissional quando um arquiteto a elabora. E isso, a meu ver, deve ser respeitado. Criticar um colega é para mim pretensão e mediocridade."
Oscar Niemeyer

"Eu sou a favor, claro. Crítica é avaliação e nenhum produto cultural está acima de avaliação. Arquitetura não é diferente de literatura, teatro ou cinema. Essa é uma não-questão. Dizer que a crítica de arquitetura é algo antiético é confundir as bolas, preferir a censura ao debate e ao esclarecimento. Claro que podem existir críticas mal-intencionadas ou malévolas - mas muitos anos de história mostram que essas geralmente saem pela culatra. Aliás, um indício do prestígio social da profissão é ter colunistas de arquitetura nos jornais, a exemplo do periódico Clarín, de Buenos Aires."
Carlos Eduardo Comas

"Seria saudável se houvesse mais crítica de arquitetura no Brasil. Nos últimos anos, esse cenário vem mudando com o surgimento de profissionais que se dedicam a isso. São pessoas especializadas que fazem uma atividade reflexiva - alguns são arquitetos, outros filósofos, mas são dedicados, estudam arquitetura e são preparados para tal atividade. E é importante que a façam para pautar a opinião pública, para esclarecer e fazer diferença entre o que o mercado considera arquitetura bem-feita e o que vai além disso. Arquitetos que praticam o projeto podem, evidentemente, fazer crítica também, mas quando quem faz a crítica não é instrumentado para tal, pode resultar um trabalho muito opinativo. A crítica feita por quem não tem preparo pode ser desastrada."
Milton Braga

COM A PALAVRA, OS COLEGAS!