Tuesday, August 8

MNBA – MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES / RJ

Ainda outro dia, coloquei no Observador minhas dúvidas (existiriam?) quanto aos aspectos de dois projetos de Arquitetura.
De um deles, do tal Parque Cidade Jardim, pela sua evidente indigência geral, escuso-me a comentar nesse momento.

Do outro projeto, descuidadamente não prestara atenção na foto da maquete em branco, onde irrompia, qual tumultuado trambolho no pátio de um edifício mais antigo, uma agressiva (vá là!) torre, que era o prédio do Museu Nacional de Belas Artes, do Rio de Janeiro. Prédio lindíssimo, tombado, patrimônio das (poucas) coisas belas ainda preservadas em terras cariocas.
Chamou-me a atenção o amigo Mauro Magliozzi, Arquiteto como eu, desse fato, dando-me o atalho para a reportagem publicada na revista Projeto (das melhores do Brasil). Fui lá e “rapteidois trechos do artigo que fala do projeto, abaixo e com algumas considerações minhas.
Tive todo o cuidado, pois o projeto é do Paulo Mendes da Rocha, uma das minhas maiores (ou a maior) admirações em Arquitetura e do grupo Metro, altamente qualificados e competentes. Ou seja, só tem craque no time que “cometeu” (minha opinião) tal deslize arquitetônico.

Aos trechos da reportagem

“O elemento mais contundente do projeto é a torre de 14 pavimentos (com 70 metros de altura), de térreo livre, que ocuparia o pátio central do edifício, com 30 x 30 metros. Segundo os autores, o volume não interfere na escala do museu e do entorno, ficando dentro do gabarito da região e, do ponto de vista do pedestre, praticamente imperceptível. No térreo, sem pilares, seriam instalados alguns serviços, como lojas e restaurantes. Nos andares mais baixos, onde há coincidência entre a edificação nova e a antiga, os pisos se comunicariam e teriam cotas iguais. De forma geral, a torre é composta por área de exposições e cinco pavimentos de reserva técnica.”

Notas minhas 1:
1-, “ficando dentro do gabarito da região”.
Simplesmente atinar para as solicitações legais, tipo gabarito ou coisas semelhantes, numa legislação capenga e viciada como a do Rio de Janeiro, é rigorosamente pobre em termos dos cuidados que a edificação mereceria;
2-“ do ponto de vista do pedestre, praticamente imperceptível”.
Facam-me o favor, queridos colegas!!!
E que tal vendar, caso necessário, os atrevidos que se dispuzessem a olhar, de algum ponto mais alto, e pudessem ver o “troço”, a pouco inspiradaestupro-edificação”?

“Com a saída de Herkenhoff da direção do museu, em janeiro passado, o futuro do projeto de Mendes da Rocha é incerto. Uma das alegações para seu pedido de demissão foi o vazamento de alguns detalhes da proposta aqui apresentada. A nova diretora, Mônica Xexéu, tomou posse em abril, e ainda não se posicionou publicamente em relação ao futuro do projeto.”

Notas minhas 2:
1-“ Com a saída de Herkenhoff da direção do museu, em janeiro passado, o futuro do projeto de Mendes da Rocha é incerto.”
Ainda bem, pois o cara parece que delirava quando pensou em tal cometimento;
2- “A nova diretora, Mônica Xexéu, tomou posse em abril, e ainda não se posicionou publicamente em relação ao futuro do projeto.”
Seria o caso de interdição médica, através junta de psicanalistas, da Mônica Xexéu, no caso dela resolver executar tal projeto. Nem mesmo a defesa que a presença do laureado PMR avalizaria o projeto, pode servir de argumento.

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O Museu, a frente, e o estorvo, "encaixado"
Você, pedestre carioca, deixaria de ver tal "trapizonga"?

MUSEU1_WEB.jpg
Pra mim, um brutal engano da Arquitetura, tal proposta. Inexplicável!

Sinceramente, fico a imaginar o que pode ter levado tão consciente grupo de profissionais a topar cometer esse desatino proposto pelo Herkenhoff.
Fama e reconhecimento? Responder a um grande desafio?

Torço, ardentemente, para que essa proposta seja arquivada, o prédio do MNBA permaneça intocado, ou que surja alguma idéia mais adequada.
Às pessoas que demonstrem desconhecimentos sobre o que estamos colocando, sugiro uma visita ao Museu, um percorrido pelo pátio central, para aniquilar, de imediato, qualquer dúvida de que esse projeto, essa proposta, é incabível.
Necessário aumentar a área de estoque? Local para laboratórios e áreas de preservação e restauro? Caso seja, procurem outro local para isso.

PREFIRO ESQUECER QUE ISSO PODERIA ACONTECER!