Sunday, May 27

UMA INTERVENÇÃO

Um trabalho do escritório do Arquiteto Eric Owen Moss – EOM Architects (http://www.ericowenmoss.com)
Uma intervenção em São Petersburgo – Rússia, uma cidade do quarto século, localizada as margens do Rio Neva.
A proposta dos Arquitetos propõe a transição do passado para o futuro, nesse projeto para o novo Teatro de Mariinsky no Centro Cultural de Mariinsky.



Todo o trabalho de EOM Architects, tem um quê do que o grande público, não afeiçoado às andanças da Arquitetura mais ousada,digamos, chamaria de "Futurista".
Pessoalmente acho que eles pegam pesado, mesmo. Nada convencional sai de lá. Tento me acostumar, mas encontro alguma dificuldade. Talvez faça parte daquela divisão,minha, a segunda, dos projetos que eu não consigo pensar.
Mas, como conversamos hoje, eu e meu sobrinho também Arquiteto, e bom, desde que nosso trabalho,a Arquitetura, consiga ser alvo de comentários e apreciações, que tenhamos alguma visibilidade, "tô com eles e não abro".
Mais ou menos naquela linha do "falem mal, mas falem de mim"

PEGANDO PESADO
ps: aconselho, a quem não conhecer o "cara", uma visita no site da EOM

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Tuesday, May 22

DIVIDINDO (ME)

Normalmente, para um profissional com mais de 45 anos de atuação na Arquitetura, como acontece comigo, as coisas não devem proporcionar grandes surpresas. Grandes projetos, inovações, formas diferentes, abusadas ou abusivas, nada disso, normalmente, consegue produzir estragos nas nossas cabeças.
Normalmente, faço questão de enfatizar.

Deixo bem claro que, para isso, para que as novidades, aquelas realizações que ultrapassam a normalidade do dia-a-dia, o feijão-com-arroz, embora bem temperado e melhor servido, possam ser bem apreciadas e até entendidas, temos que nos manter antenados e procurando saber o que rola por esse mundão afora. Têm muita coisa aparecendo, enormes e diferentes projetos, realizações fora do convencional, capazes de aturdir os espíritos mais acomodados. Dentro desse panorama, dessa ótica, desse modo de ver as coisas e os acontecimentos, e para não sofrer sustos, ou decepções, vivo a vasculhar os sites dos coleguinhas mais famosos, catuco o Google atrás de imagens e informações, ando pelas livrarias procurando os bons livros e revistas. Não gosto de ser apanhado em flagrante delito de não saber das coisas da profissão. Tento, bem entendido!

Mas, embora essa pretensão, santa e modesta, vira-e-mexe, fico a olhar alguns projetos com aquela cara de quem não está entendendo nada. Aquela perplexidade do jumento a olhar para a Monalisa. Aí, é a hora da minha arguta cabecinha, tentando apaziguar os meus estarrecimentos, separar as coisas, simplificar o entendimento, ou o não-entendimento, e fazer a divisão.
Explico melhor.

Projetos:
-Esse eu acho que faria, ou poderia fazer:
São aqueles projetos, que por mais bem feitos e bem bolados, conseguem ser assimilados, por um Arquiteto Comum, talvez até com uma certa pretensão, digamos, e que eu vejo, consigo analisar, entendo com maior facilidade e não sofro nenhuma dúvida mental. Encaixo, numa boa!
Claro, quando isso acontece, imagino-me com uma equipe inter-disciplinar competente, uma verba adequada e prazo digno, como vejo acontecer em todos os grande Projetos de Arquitetura que se prezam. Situação essa, quase nunca oferecida a “nosotros”.


-Esse eu não faria nem submetido a torturas ou acionado por algum ácido!
É o caso de alguns projetos mais mirabolantes, mais criativos, onde não consigo me sentir confortável, independente de gostar ou não gostar. Tipo, um problema de, digamos, incapacidade de alcançar a proposta do coleguinha.
Confesso, sem nenhum pudor maior, do tipo “modéstia à parte”, que não são muitos, os projetos que espantam, mas são bem mais do que minha pretensão, numa boa, pretendia. Aí, fico chapado e caio dentro do projeto para procurar entender como o “cara” teve a ousadia de imaginar tal proposta, como é que uma cabeça pode ter aquela disponibilidade.


Nesse universo, até para manter a cabeça arejada e disponível para vôos mais ambiciosos, descarto os projetos ruins. Ruindade essa, e aí entra o meu gosto, puramente pessoal, por mim estabelecida. E, tem de monte!

O COLEGA TEM ALGUMA COISA A ACRESCENTAR?
ps: pretendo abrir uma seção, semanal, onde vou colocar exemplos dessa minha, pessoal, divisão. Com direito a explicações e defesa, rsrsrsrsrsrsrs!

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Saturday, May 5

MAIS UMA DO FRANK GEHRY

Por mais que seja complicado para o espectador comum acostumar-se ao visual dos projetos do FG, dificilmente esse mesmo espectador conseguirá passar frente a uma das suas criaçõesimpunemente, simplesmente, sem expressar alguma incredulidade pelo que está vendo, espanto pelo inusitado, até mesmo horror, ou algo parecido, pelo “jeitãoda coisa. O “cara” tem o dom!
Goste-se, ou não!

Frank_gehry_Ele-Web.jpg


Pretendo, algum desses dias, com a minha eterna vontade nunca cumprida de reativar pra valer o meu Arquiteto Comum, fazer um artigo sobre o Frank Gehry e sua obra. Claro, sem a profundidade dos grandes sites de Arquitetura, mas com uma apreciação descomprometida de quem pode se dar ao luxo de elogiar, ou pixar, a obra docara”.
Por ora, aqui no Obs. algumas imagens da sua obra em La Rioja, Espanha, no Povoado de Elciego, Alava, 110 quilometros de Bilbao. Uma localidade destinada ao cultivo do vinho.

Elciego-2WEB.jpg


Comenta-se que ele custou a se decidir a fazer esse Projeto, e quando resolveu-se declarou queentusiasmado com o trabalho, quis homenagear a região, fazendo o edifício “surgir da terra como uma videira”. Ao apresentar o projeto à comunidade de Elciego, confessou: “Quis desenhar algo excitante, festivo, pois vinho é prazer”.
E assegurou:
“Não se trata de uma versão reduzida do Guggenheim, mas de uma evolução de estilo. Talvez esta seja a minha obra mais representativa neste século”.

CHOCANTE!
ps:trata-se de um pequeno e sofisticado Hotel

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Thursday, May 3

MARQUISES. UM PERIGO?

Outro dia li um artigo da Aline Alves, no site da Pini, sobre o que ela chamou de “Perigo Suspenso”.

Falava sobre um acontecimento, “em fevereiro de 2006, a queda de uma marquise na Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, provocou a morte de duas pessoas e feriu mais de 20”, e sobre a apuração das falhas que causaram o colapso da estrutura.
Continuava seu artigo, criterioso e esclarecedor, apontando todos os cuidados técnicos que devem ser tomados “a especificação correta e adequada do cobrimento de concreto em relação à armação, fundamental para não ocasionar problemas de fissuração, desplacamentos, corrosão das barras de aço e perda da capacidade resistente. Os valores mínimos do cobrimento, que dependem basicamente do elemento estrutural (laje, viga, pilar etc.) e da agressividade do meio ambiente”.

Pessoalmente sou um profundo defensor das marquises, notadamente no Rio de Janeiro, onde o sol e as chuvas, normais e abundantes, mais do que solicitam, exigem esse tipo de proteção.

Lembro-me, de quando fiz o Projeto de modificação do Hotel Marina (aquele de enorme altura e que, segundo meus alunos da Santa Ursula, é o responsável pela maior, e mais danosa, sombra na orla do Leblon e Ipanema), que não havia qualquer proteção no acesso principal do prédio. Ou seja, ou o “caraestava dentro do Hotel, ou estava fora, fazendo sol, ou chovendo, em qualquer circunstância, sem ter uma, digamos, “ante-câmara” que permitisse que ele pudesse esperar uma condução, algum amigo que estivesse chegando, em condições mais confortáveis. Pretendi, imediatamente, propor ao proprietário do Hotel a complementação do acesso com a adoção de uma marquise. E, pra mim, umamarquisona”, significativa, capaz de proteger e denunciar, agenciar, o acesso principal do Hotel. Ele aceitou e eu fui à luta.
Projetei a dita cuja!

Uma marquise com quase quatro metros de balanço(**), envolvendo a entrada principal e estendendo-se até o acesso de serviço. Uma puta marquise! Isso, convém esclarecer, numa edificação que já estava, a essa altura dos acontecimentos, com a estrutura totalmente executada. Ou seja, tivemos que criar condições de, apoiando na estrutura existente, “montaressa enorme peça complementar. Claro, tudo isso, toda essa exorbitância de idéias, uma quase arrogância do Arquiteto, baseada, garantida, pela competência do Calculista, José Maria Guerra Alvariz, que resolveu todos os problemas que eu estava a criar.
(**) a parte que está na rua João Lyra, até serviu para proteger um barzinho que colocaram ali.

Nem entro no mérito se a marquise é bonita, ou feia, não é a isso que me proponho escrevendo esse texto, mas a intenção é mostrar que marquises, “Perigos Suspensos”, assuntos que causam até a diarréia mental do alcaide, que decretou o fim delas, é um problema, se for, apenas de cuidados no projetar e manutenção ao longo do tempo.
E, cá pra nós, num prédio que já tem mais de trinta anos, com uma manutenção super descuidada (quando ainda morava no Leblon, e já lá se vão mais de dez anos, várias vezes procurei a gerencia do Hotel pra falar da marquise, de sua manutenção e limpeza),não existem, qualquer evidência de degradação ou sintomas de fadiga.

A marquise, as marquises, da qual eu tanto queria falar, faz tempo, foi apenas uma das peripécias” por que passei, na transformação, solicitada pelo proprietário de então, Luiz César Magalhães, na modificação do hotel de quatro para cinco estrelas.
Considero o que fiz no Marina, um exercício de criatividade, de quase arrogância, como poucas vezes tive que fazer. Pra mim, o maior laboratório” que tive que exercitar. Fiz de tudo!

ADORO UMA MARQUISE!
ps 1: projeto executado entre ´74 e ´76

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